Biblioteca de Aetheria · Os Pactos Antigos

O Templo do Primeiro Trovão

Mesmo texto canônico usado no acervo da biblioteca do bot.

Arte da Biblioteca de Aetheria para o livro O Templo do Primeiro Trovão

Acima das nuvens, onde o som demora a decidir se desce ou sobe, repousa o Templo do Primeiro Trovão. A pedra ali não está molhada pela chuva, mas por relâmpagos selados. Cada arco guarda uma descarga que não foi liberada durante a Ruptura, como se o céu tivesse prendido a própria resposta para não destruir aquilo que tentava proteger.

Os primeiros registros do templo falam de um juramento celeste anterior aos mapas nômades. O vento levaria aviso, mas o trovão só falaria quando todos os avisos fossem ignorados. Era a última voz do pacto, não a primeira. A guerra inverteu essa ordem. Povos assustados passaram a pedir trovão antes de escutar vento.

O Arauto do Céu Partido nasceu dessa inversão. Ele não é apenas inimigo; é uma ordem antiga executada sem contexto. Ataca porque entende silêncio como falha, movimento como fuga e dúvida como traição. Para derrotá-lo, não basta resistir ao relâmpago. É preciso provar que aviso, memória e escolha ainda podem agir antes da destruição.

Os instrumentos recuperados no templo confirmam a parte celeste do pacto revelado sob a Clareira. Seiva e vento não eram símbolos poéticos. Eram sistemas vivos de comunicação entre regiões, povos e forças antigas. Quando um deles foi ferido, o outro se tornou instável.

A conclusão deste livro permanece em aberto por ordem dos arquivistas. O Pico foi contido, não domesticado. O trovão voltou a esperar, mas não prometeu obediência eterna. Talvez essa seja a forma mais honesta de paz que Mythral pode sustentar agora.