Biblioteca de Aetheria · Os Pactos Antigos

O Juramento Entre Seiva e Vento

Mesmo texto canônico usado no acervo da biblioteca do bot.

Arte da Biblioteca de Aetheria para o livro O Juramento Entre Seiva e Vento

Antes que Aetheria aprendesse a medir correntes arcanas e antes que Eldor fechasse suas trilhas aos forasteiros, havia um acordo mais simples e mais perigoso. A seiva guardaria memória. O vento carregaria aviso. Nenhum dos dois teria autoridade sozinho para decidir o destino de uma ferida antiga.

Os druidas chamaram esse acordo de pacto. Os nômades o chamaram de canto. Os primeiros estudiosos de Aetheria, desconfiados de palavras que não cabiam em tabelas, registraram apenas uma expressão: resposta cruzada. Quando uma raiz sofria em Eldor, o ar mudava no alto do Pico das Nuvens. Quando o céu se tornava hostil, folhas distantes cantavam antes da tempestade chegar.

A Primeira Troca entre povos mortais não criou esse vínculo. Apenas o imitou. Durin Malho-Firme e Lirael Sussurro-da-Folha entenderam, ainda que por caminhos diferentes, que nenhum povo sobreviveria se tratasse memória como posse e aviso como domínio. A ponte entre pedra e árvore nasceu dessa humildade.

O pacto começou a enfraquecer quando a Guerra da Ruptura ensinou cada região a temer depender das outras. Eldor recusou ajuda para proteger seus segredos. Aetheria tentou traduzir toda ferida em instrumento. Os nômades perderam cantos inteiros nas tempestades. A seiva continuou lembrando, mas já não confiava em quem ouviria. O vento continuou avisando, mas suas mensagens chegavam partidas.

Por isso a Biblioteca preserva este volume sem conclusão fechada. Um juramento antigo não volta a existir porque alguém encontra suas palavras. Ele volta quando aqueles que o herdaram aceitam ser corrigidos por ele.