A Ordem Templária de Aetheria, guardiã da Luz, conta a lenda do Farol Quebrado. Não era uma torre física, mas a própria essência da verdade e da memória pública que Aetheria representava. Antes da Ruptura, o Farol irradiava clareza, revelando ameaças e iluminando caminhos. Mas quando Valerius roubou o Coração de Aetheria, o Farol não se apagou; ele se estilhaçou.
Um jovem Templário, cujo nome se perdeu na vergonha da queda, tentou reunir os fragmentos. Ele acreditava que a Luz, por si só, era invulnerável. Mas cada pedaço que ele tocava revelava uma verdade dolorosa: a arrogância de Aetheria, a cegueira dos líderes, a complacência que permitiu a ascensão de Valerius. A Luz não era apenas revelação; era também a exposição de suas próprias falhas.
Desiludido, o Templário quase abandonou sua busca. Foi então que uma anciã, uma das poucas que se lembrava da verdadeira função do Farol, o encontrou. Ela não o repreendeu, mas o guiou até um pequeno fragmento que ele havia ignorado, um que brilhava com uma luz mais suave, mas constante. "A Luz não é para esconder a escuridão", disse ela, "mas para nos mostrar onde devemos reconstruir. E a reconstrução começa com a aceitação da própria fratura."
Desde então, os Templários de Aetheria ensinam que a Luz não é uma arma para cegar, mas uma ferramenta para ver. E que a verdadeira força de um guardião não está em sua invulnerabilidade, mas em sua capacidade de carregar os fragmentos quebrados da verdade, mesmo quando eles revelam suas próprias cicatrizes.