No sul insular, os draconianos contam sobre um dragão antigo que possuía um nome tão poderoso que qualquer um que o pronunciasse poderia ordenar que ele queimasse cidades, afundasse navios ou partisse montanhas. Reis, magos e conquistadores atravessaram mares tentando descobri-lo.
O dragão não fugia. Recebia todos nas falésias e perguntava: "O que você fará com meu nome quando o tiver?" Uns falavam em glória. Outros, em justiça. Outros, em medo. A todos, o dragão respondia com silêncio, e o vento levava os visitantes de volta sem memória da viagem.
Um dia, uma jovem escriba draconiana chegou sem armas e sem pedido. Disse apenas que vinha registrar aquilo que o dragão escolhesse não revelar. O dragão então mostrou a ela uma escama marcada por mil riscos, cada um representando alguém que tentou transformar nome em posse.
A escriba voltou ao Bastião sem o nome, mas com a lição. Desde então, juramentos draconianos ensinam que memória não existe para dominar aquilo que registra. Algumas verdades são guardadas justamente para que o mundo continue livre delas.