Biblioteca de Aetheria · Lendas de Mythral

O Cântico da Criação

Mesmo texto canônico usado no acervo da biblioteca do bot.

Arte da Biblioteca de Aetheria para o livro O Cântico da Criação

No início, havia apenas o Silêncio e a Névoa. Do coração da Névoa surgiram os Titãs, seres nascidos da vontade primordial do universo. Não eram de carne, mas de pura ideia: o Titã da Montanha, a Titã da Floresta, o Titã do Rio e a Titã do Céu.

O Titã da Montanha, com seu martelo de gravidade, golpeou o vazio e de cada faísca nasceu uma pedra. Ele as empilhou, uma sobre a outra, até que as Montanhas de Ferro rasgassem a Névoa. Em suas profundezas, plantou os veios de minério como sementes de força e resiliência. De uma dessas sementes, tocada por sua teimosia, nasceram os primeiros anões, pequenos em estatura, mas resistentes como a própria montanha.

A Titã da Floresta, com sua voz de vento entre folhas, cantou para as pedras nuas. De sua canção brotaram as primeiras árvores, as gramíneas e as flores, cobrindo o mundo com um manto verde que se tornou a Floresta de Eldor. Em um broto de carvalho guardado junto ao coração, ela infundiu graça e longevidade, e dele despertaram os primeiros elfos, com a sabedoria das árvores antigas nos olhos.

O Titã do Rio, com mãos de correnteza, esculpiu a terra, criando vales e planícies. Encheu os sulcos com águas de sua própria essência, dando origem ao Rio dos Minerais. Em uma poça que refletia céu e terra, misturou argila da margem com a curiosidade do fluxo. Dessa mistura moldou os primeiros humanos, uma raça de vida breve, mas capaz de se adaptar, mudar e sonhar como o próprio rio.

A Titã do Céu, tecida de luz estelar e crepúsculo, observava tudo de cima. Deu ao mundo o sol, a lua, o ciclo do dia e da noite. Soprou a magia no ar, uma energia sutil que permeava todas as coisas, para que seus filhos tivessem poder de criar e se proteger. No ponto mais alto do céu, teceu um farol de pura energia mágica: a Cidade de Aetheria.

Os Titãs, tendo completado sua obra, retiraram-se para um sono profundo, tornando-se a própria paisagem de Mythral. Mas não desapareceram. Os anões ainda ouvem ecos do martelo nas minas. Os elfos sentem a canção no farfalhar das folhas. Os humanos carregam no peito a centelha do rio e o olhar sonhador do céu.