O Povo Gato conta que a lua já teve sete caudas de luz. Cada cauda apontava para uma estrada invisível: uma para quem fugia, uma para quem buscava, uma para quem levava notícia, uma para quem escondia segredo, uma para quem voltava para casa, uma para quem não tinha casa e uma para quem ainda não sabia seu próprio destino.
Certa noite, a lua teria descido perto de uma caravana perdida no Vale das Brumas. Os viajantes estavam sem mapa, sem comida e sem coragem. Uma criança perguntou à lua qual caminho deveriam seguir. Em vez de responder, a lua sacudiu as sete caudas, e cada viajante viu uma trilha diferente.
Os adultos discutiram até a madrugada. A criança, cansada, escolheu a trilha que parecia menos orgulhosa. Era estreita, úmida e cheia de espinhos, mas levava a uma nascente, e da nascente a uma estrada antiga. Desde então, o Povo Gato ensina que nem toda rota boa parece importante quando começa.
Em noites de lua fina, alguns guias ainda erguem a mão e contam caudas invisíveis no céu. Não procuram certeza. Procuram movimento.