Biblioteca de Aetheria · Contos de Mythral

O Último Grito de Borin na Ponte Antiga

Mesmo texto canônico usado no acervo da biblioteca do bot.

Arte da Biblioteca de Aetheria para o livro O Último Grito de Borin na Ponte Antiga

O ar cheirava a sangue e ozônio. Da entrada da Ponte Antiga, o Lorde Anão Borin Malho-Firme mal conseguia distinguir o rio que corria vermelho muito abaixo. O vermelho não vinha dos minerais, mas do sangue de seus irmãos e irmãs, e do sangue negro das hordas do Mago Rei.

Eles haviam segurado a ponte por três meses. Três meses de gritos, aço contra aço e magia profana corroendo pedra, carne e coragem.

Ao seu lado, a Capitã Elfa Lyra Sussurro-da-Folha respirava fundo, seu arco cantando uma melodia mortal a cada flecha disparada. Seus olhos, que antes refletiam a paz da Floresta de Eldor, agora continham a fúria de uma tempestade.

"Eles não param de vir, Lorde Borin", disse ela, calma apesar do caos.

"Eles não precisam parar, Capitã", rosnou Borin, apertando o cabo de Quebra-Feitiços. "Só precisam ser detidos. Aqui. Agora."

Ele olhou para os rostos de seus guerreiros restantes. Eram poucos. Uma centena de anões do Clã Malho-Firme e talvez cinquenta arqueiros de Eldor contra milhares. O Grande Selo precisava de mais tempo, era o que os magos diziam. Tempo que eles não tinham.

Uma nova onda avançou, liderada por um cavaleiro da ruína montado em um pesadelo de ossos e sombras. Borin viu o desespero nos olhos de seus soldados e soube que chegara ao último recurso.

"Lyra", gritou por sobre a batalha. "Leve seus elfos para a retaguarda. Cubram a retirada. Diga aos nossos magos que o tempo deles acabou. Agora é o tempo dos anões."

Lyra hesitou. "Borin, não."

"Sim", ele respondeu, sem deixar espaço para súplica. "Meu clã construiu esta ponte. É nosso direito desfazê-la. Vão."

Com um aceno relutante, Lyra deu a ordem. Os elfos recuaram, formando uma linha de defesa na saída da ponte, suas flechas chovendo sobre o inimigo para dar aos anões alguns segundos preciosos.

Borin ergueu o machado.

"Irmãos do Malho-Firme! Vocês se lembram das canções da forja? Hoje cantaremos a canção da desconstrução. Pela honra de nossos ancestrais, pelo futuro de nossos filhos. Ao pilar central!"

Eles avançaram como uma cunha de aço e fúria, não contra o exército que vinha, mas contra a própria ponte. Ignorando lâminas e garras, chegaram ao pilar central, uma obra-prima da engenharia anã. As runas de Quebra-Feitiços brilharam com luz azul.

"Que o Grande Forjador me perdoe por destruir uma obra tão bela", sussurrou Borin.

Então golpeou.

A ponte estremeceu. Rachaduras se espalharam como teias. Com um último impacto, o pilar cedeu. Por um momento houve silêncio. Depois, com um gemido de pedra torturada, a Ponte Antiga desabou, levando Borin, seus anões e milhares de criaturas da escuridão para o abismo do Rio dos Minerais.

O último som que Lyra ouviu não foi o da pedra se quebrando, mas o eco do grito de guerra de um Lorde Anão, um grito que comprou a salvação de Mythral ao preço de seu próprio povo.