Biblioteca de Aetheria · Contos de Mythral

A Carta que Não Chegou a Eldor

Mesmo texto canônico usado no acervo da biblioteca do bot.

Arte da Biblioteca de Aetheria para o livro A Carta que Não Chegou a Eldor

Lirael Sussurro-da-Folha escreveu a carta três vezes.

Na primeira, chamou os anões de teimosos. Na segunda, chamou os humanos de apressados. Na terceira, não chamou ninguém de nada. Apenas descreveu uma árvore doente na fronteira de Eldor, uma árvore que resistia a cair porque suas raízes haviam encontrado pedra boa.

A carta era para Durin Malho-Firme, velho amigo da Primeira Troca. Ele talvez soubesse que tipo de metal poderia sustentar uma raiz sem feri-la. Talvez risse da pergunta. Talvez respondesse com uma ferramenta em vez de palavras, como costumava fazer.

Mas a guerra chegou antes do mensageiro.

Durante semanas, Lirael carregou a carta junto ao peito enquanto guiava crianças e anciãos para clareiras mais seguras. Viu árvores cantoras ficarem mudas. Viu pontes vivas arderem. Viu elfos que jamais haviam tocado ferro aceitarem lâminas anãs porque o mundo já não dava tempo para orgulho.

Quando enfim encontrou um mensageiro, a notícia veio primeiro: Durin havia morrido defendendo uma oficina de fronteira.

Lirael não chorou ali. Dobrou a carta com cuidado, colocou-a dentro de uma caixa de madeira viva e enterrou-a aos pés da árvore doente. Anos depois, quando a guerra terminou, aquela árvore ainda estava de pé. Do tronco saía uma linha prateada, como se uma raiz tivesse aprendido a sonhar com metal.

Os elfos de Eldor dizem que a carta nunca chegou. Os anões que conhecem a história dizem que chegou sim, apenas por outro caminho.